quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Violência no Namoro

Entramos hoje no mês em que se comemora o Dia dos Namorados. Este Serviço não poderia deixar de assinalar esta data alertando para algo que, muitas vezes é aceite como fazendo parte de um relacionamento amoroso, mas que não deve ter cabimento numa relação de amor e confiança, falamos da Violência no Namoro.

É um ato de violência, pontual ou contínua, cometida por um dos parceiros (ou por ambos) numa relação de namoro, com o objetivo de controlar, dominar e ter mais poder do que a outra pessoa envolvida na relação. 

Tipos de violência:

VIOLÊNCIA FÍSICA - Por exemplo, quando o/a teu/tua namorado/a:
  •         Te empurra;
  •          Te agarra ou prende;

  • Te atira objetos;
  • Te dá bofetadas, pontapés e/ou murros;
  • Ameaça usar a força física ou a agressão.

VIOLÊNCIA SEXUAL – Por exemplo, quando o/a teu/tua namorado/a:
  • Te obriga a praticar atos sexuais (sexo anal, sexo oral e/ou vaginal), mesmo quando não queres;
  • Te acaricia (ou força carícias), sem que isso seja desejado.

VIOLÊNCIA VERBAL - Por exemplo, quando o/a teu/tua namorado/a:
·         Te chama nomes e/ou grita;
  • Te humilha, através de críticas e comentários negativos (ex.: “Não vales nada.”);
  • Te intimida e ameaça.

VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA - acontece quando o agressor:
  • Parte ou estraga os objetos ou roupa da vítima;
  • Controla a sua maneira de vestir;
  • Controla o que ela faz nos tempos livres e ao longo do dia;
  • Liga-lhe constantemente ou envia mensagens;
  • Ameaça terminar a relação como estratégia de manipulação.

VIOLÊNCIA SOCIAL - acontece quando o agressor:
  • Humilha, envergonha ou tenta denegrir a imagem da vítima em público, especialmente junto dos seus familiares e amigos;
  • Mexe, sem o seu consentimento, no teu telemóvel, nas suas contas de correio eletrónico ou conta do Facebook;
  • Proíbe a vítima de conviver com os amigos e/ou família.

A violência no namoro é um padrão
Quando falamos de violência no namoro, falamos de um padrão que se repete, de uma dinâmica relacional em que um dos elementos do casal, através da violência, pretende controlar, dominar, submeter o outro. Inicialmente assume formas de dominação socialmente aceites que, com o tempo, se vão tornando mais graves, frequentes e destrutivas.

A violência no namoro nem sempre é óbvia
Existem táticas subtis, formas mascaradas de exercer poder e controle sobre a outra pessoa. Tão subtis que podem ser impercetíveis. Por vezes exprimem-se sob a forma de preocupação com o relacionamento e com o bem-estar do/a parceiro/a e podem ser confundidas com manifestações de amor.

A violência no namoro é um fenómeno transversal
Há situações de violência nas relações de namoro em todos os grupos sociais: as vítimas e as pessoas que agridem podem ser ricos ou pobres, muito ou pouco escolarizados, habitantes em zonas rurais ou urbanas, celebridades ou cidadãos/ãs comuns. A violência não é exclusiva dos/as consumidores/as de drogas ou álcool, nem das pessoas com doença mental, podendo ou não coincidir com o consumo daquelas substâncias, podendo ou não estar associada a situações de doença mental.

Violência no namoro e conflito não são sinónimos
O conflito é normal nas relações amorosas. Serão raras, ou até mesmo inexistentes, as relações de plena harmonia. Não devem evitar-se os conflitos a qualquer custo, estes podem ser construtivos e permitir que as pessoas e a relação cresçam.
Pelo contrário, a violência é sempre negativa e destrutiva. É uma forma inaceitável de resolver conflitos.

PORQUE SE MANTÉM UMA RELAÇÃO DE NAMORO VIOLENTA?

Porque há um ciclo que aprisiona
O “ciclo da violência” pode ajudar a explicar o facto de a vítima não tomar a iniciativa de romper a relação. Este ciclo desenvolve-se em 3 fases:
A fase da acumulação de tensão caracteriza-se pela expressão de sentimentos negativos, insultos, humilhações e recriminações. O ambiente cada vez mais tenso leva a vítima a evitar situações que possam gerar o conflito para minimizar o risco da explosão violenta.
Na explosão violenta “descarrega-se” a tensão contida. Os comportamentos violentos são de maior intensidade e gravidade, podendo haver agressões físicas, ameaças, uso de armas, abusos sexuais, violação, etc.
Na fase da “lua-de-mel” há como que uma compensação amorosa: a pessoa que agride mostra-se arrependida e promete que não vai voltar a ser violenta. Há manifestações de afeto, oferta de presentes, pedidos de desculpa. Nesta fase, renova-se a esperança na mudança e minimiza-se as agressões sofridas.

Porque se idealiza o amor
Apesar de o “… e viveram felizes para sempre” só acontecer nos contos de fada, na verdade, alimentamos a convicção de que o amor é capaz de superar todos os obstáculos. Muitos/as jovens mantêm relações violentas porque acreditam que “o amor resiste a tudo” e tem o poder de mudar o carácter da pessoa amada.
Estas conceções idealizadas do amor levam muitas vezes a vítima a continuar na relação, na esperança de que o seu “happy end” chegará um dia.

Porque se romantizam os ciúmes
É habitual considerar-se que o ciúme é uma expressão de amor. Mas quando um/a namorado/a tem um comportamento violento sempre que alguém se aproxima do seu par, tenta isolá-lo e mantê-lo afastado de potenciais rivais, impedindo-o, por exemplo, de sair com amigos/as, não estamos perante expressões de amor, mas sim perante o desrespeito e o desejo de controle do outro.
Infelizmente, na nossa sociedade, há ainda uma grande tolerância a “cenas de ciúmes” violentas. Estas são frequentemente minimizadas ou romantizadas, considerando-se manifestações normais de descontrole emocional causado pelo ciúme.

COMO SE SENTE A VÍTIMA?

      Apesar de o/a nosso/a namorado/a nos maltratar continuamos a gostar dele/a.
      Não o/a queremos magoar, desiludir, nem prejudicar.
      Não queremos ficar sozinhos/as ou temos medo que a relação acabe.
      Temos vergonha de contar o que se está a passar e de pedir ajuda.
      Temos medo que ninguém acredite em nós ou que ninguém nos consiga ajudar.
      Temos medo que o/a nosso/a namorado/a nos faça mal ou faça mal a si próprio/a se contarmos o que está a acontecer.
      Temos esperança que ele/ela mude ou ele/ela promete que vai mudar.
      Desculpamos ou entendemos o comportamento dele/a por causa do ciúme ou pelo facto de gostar de nós.

O QUE FAZER?
Se fores vítima de violência no namoro:

Enquanto não te sentires seguro/a para tomar uma decisão definitiva ou para pedir ajuda, há algumas estratégias que te podem proteger:
      Opta por locais públicos e movimentados para estares com o/a teu/tua namorado/a. Locais isolados podem colocar-te em risco.
      Escolhe atividades em que estejas com o/a teu/tua namorado/a na presença de outras pessoas (ex.: o teu grupo de amigos).
      Muda as rotinas (ex.: o teu percurso para a escola e da escola para casa) e procura estar na companhia de amigos ou colegas de turma.
      Quando saíres diz a alguém em que confies onde vais e a que horas regressas.
      Grava contactos telefónicos importantes no teu telemóvel, para poderes pedir ajuda facilmente caso precises.
      Se sentires que estás em perigo, procura imediatamente alguém ou um sítio mais seguro (ex.: um sítio onde estejam mais pessoas). Podes também ligar 112. O profissional que atender a tua chamada enviará para o local onde te encontrares os meios necessários para te proteger.
      Conta a um adulto da tua confiança o que se está a passar. Os adultos só poderão apoiar-te e proteger-te se souberem o que está a acontecer.

Lembra-te que:
      A violência nunca é uma forma de expressar amor ou paixão por outra pessoa.
      Os ciúmes ou a traição não servem de justificação para qualquer comportamento violento. 
      Não és culpado/a pelo que te aconteceu ou está a acontecer.
      Ninguém tem o direito de ser violento/a contigo.

      Se testemunhaste algum crime, é muito importante que o denuncies às autoridades. Se o fizeres, a probabilidade de a pessoa que o cometeu ser punida e impedida de fazer o mesmo a outras pessoas é maior.

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