quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Perturbações Alimentares

Todos temos hábitos alimentares diferentes e existem vários tipos de padrões alimentares saudáveis. Contudo, alguns são tão centrados no medo de engordar que podem prejudicar a nossa saúde. As pessoas que desenvolvem uma perturbação alimentar tornam-se bastante preocupadas com a forma corporal e com o peso, raramente se vêm como estando doentes e tentam esconder o seu comportamento. A perda de peso é vista como o único modo de se sentirem bem e de poderem ter controlo sobre a sua vida, por isso normalmente não procuram ajuda.
Pessoas com uma baixa auto-estima e perfecionistas, são particularmente vulneráveis a uma perturbação alimentar. Se uma perturbação alimentar não for tratada pode durar vários anos.
A anorexia nervosa, a bulimia nervosa e outras perturbações alimentares mais atípicas afetam entre 2 – 6% das raparigas adolescentes. No entanto a sua prevalência no sexo masculino tem vindo a aumentar.

Anorexia nervosa
As pessoas com anorexia têm uma imagem distorcida da sua forma corporal e da sua imagem. Tentam evitar ou fazer restrições alimentares e podem fazer excesso de exercício para perderem bastante peso. Geralmente esta doença tem início na adolescência, no entanto pode ter início ainda na infância ou já na vida adulta.

Quem tem anorexia pode ter alguns ou todos os seguintes sintomas:
· Negar que está com um peso muito baixo ou que tem um problema com a comida;
· Um peso muito inferior ao que é esperado para a sua idade e altura;
· Comer muito pouco, ou nada, ou restringir certo tipo de alimentos, tais como os que contêm gorduras;
· Evitar comer ao pé de outras pessoas ou cortar a comida em pedaços muito pequeninos para parecer que comeu alguma coisa;
· Ser obcecada com exercício físico;
· Tomar comprimidos para reduzir o apetite;
· Utilizar laxantes em excesso ou induzir o vómito. Existem, por isso, dois subtipos – o purgativo e o não purgativo.

Habitualmente é da combinação de vários fatores que surge a doença, sendo que os principais são:
· Baixa auto-estima;
· Perfecionismo;
· Necessidade de agradar aos outros;
· Medo da puberdade/busca de uma identidade;
· Necessidade de sentir que pode ter controlo;
· Pressão social (“magreza é beleza”, meios de comunicação social, atividades/desportos/profissões como ginástica ou ballet)
· Pessoas com diabetes tipo I são mais vulneráveis (em virtude do excesso de peso que algumas têm na zona abdominal, por exemplo);
· Família (quando a mãe ou a irmã também têm uma perturbação alimentar, ou como meio de exprimir os seus sentimentos ao dizer “não” à comida);
· Fazer dietas;
· Stress emocional (abuso físico/ sexual, problemas na vida, morte, fim de uma relação, casamento, saída de casa).

Problemas de saúde causados pela anorexia:
· Perda da menstruação nas raparigas, não estando grávidas nem a tomar pílula contracetiva (falha de pelo menos 3 ciclos consecutivos);
· Cabelo muito fino;
· Aparecimento de pelugem muito fina no corpo e na face (lanugo);
· Atraso da puberdade;
· Sentir frio constante;
· Dificuldade em dormir;
· Obstipação ou dor abdominal;
· Tensão arterial baixa, diminuição dos batimentos cardíacos e desmaios;
· Cansaço;
· Dificuldades de concentração;
A longo prazo pode ainda causar…
· Osteoporose;
· Problemas cardíacos;
· Infertilidade;
· Morte (devido aos vários problemas de saúde e caso não receba o tratamento adequado).

Bulimia nervosa 
A bulimia é uma doença bastante secreta. Ao contrário da anorexia nervosa, na bulimia o doente habitualmente terá um peso normal ou ligeiramente acima do peso corporal normal para a idade e altura, sendo, portanto, uma doença muito mais difícil de detectar.
As pessoas com bulimia têm episódios de comer em excesso num curto período de tempo, quase sempre em segredo, acompanhados por um sentimento grande de descontrolo. Estes episódios são chamados de “empanturramentos”.
Seguem-se sentimentos de vergonha devido aos excessos cometidos. As pessoas com bulimia tentam depois encontrar maneira de se livrarem da comida ou das calorias ingeridas, com os designados comportamentos purgativos (e.g. recurso ao vómito auto-induzido). Podem recorrer igualmente ao uso de laxantes ou diuréticos, excesso de exercício, períodos de jejum, ou à combinação de vários destes métodos.

Quem tem bulimia pode ter alguns ou todos os seguintes sintomas:
· Evitar comer com os outros ou desaparecer para a casa de banho depois das refeições, para vomitar o que acabou de comer;
· Ter ciclos de “empanturamento”- comportamentos purgativos que talvez ocorram pelo menos duas vezes por semana durante 3 meses ou mais;
· Ter flutuações de peso frequentemente;
· Estar preocupado com a ideia ou o desejo de alimentos;
· Ser obcecado com exercício físico;
· Ter uma auto-imagem indevidamente influenciada pela forma corporal.

Quais as causas para a bulimia?
· Baixa auto-estima: a pessoa avalia a sua auto-estima pela sua forma corporal;
· Perda de interesse nas outras pessoas;
· Problemas de humor, especialmente depressão;
· Pressão social;
· Pessoas com diabetes tipo I são mais vulneráveis;
· Se existir história de anorexia;
· Se já tentou várias dietas para perder peso;
· Pais excessivamente críticos
· Pessoa cujos pais tenham um problema alimentar;
· Stress emocional (divórcio, luto ou relações familiares abusivas) em que os “empanturramentos” são utilizados como meio de bloquear os sentimentos de infelicidade

Problemas de saúde causados pela bulimia:
· Cáries dentárias, dentes escurecidos, gengivite e mau hálito causado pelo ácido do estômago na boca devido aos vómitos regulares;
· Manchas de pele áspera nas articulações ou nos dedos, se forem usados para fazer a pessoa vomitar (escaras de Rusell);
· Cara inchada debaixo do maxilar, devido ao inchaço das glândulas salivares, causado pelo vómito;
· Dor de garganta;
· Desidratação grave, que pode provocar fraqueza, desmaios ou danos nos rins;
· Inflamação do estômago e do esófago, causada pelo ácido do vómito (em casos extremos ruptura do estômago);
· Obstipação ou diarreia, e dor abdominal;
· Mãos e pés inchados;
· Dificuldade em dormir;

A longo prazo pode ainda causar…
· Danos no coração;
· Infertilidade devido a períodos de menstruação irregular ou em que parou

Dicas sobre o que podes fazer perante uma perturbação alimentar:
· Fazer refeições regulares – pequeno-almoço, almoço e jantar. Se o teu peso for muito baixo, faz também pequenos lanches a meio da manhã, a meio da tarde e à noite.
· Tenta pensar num passo de cada vez para teres uma alimentação mais saudável. Se não conseguires tomar o pequeno-almoço, tenta sentares-te à mesa durante a hora do pequeno-almoço e beber apenas um copo de água. Quando te habituares a isto, começa por comer qualquer coisa, nem que seja apenas uma tosta, mas fá-lo todos os dias!
· Mantém um diário do que comes, quando comes e o que pensas e sentes ao longo do dia. Podes utilizar isto para ver se existe relação entre como te sentes, o que pensas e o que comes.
· Tenta ser honesto(a) sobre o que comes e o que não comes, não só contigo mesmo(a) como com as outras pessoas.
· Lembra-te que quanto mais peso perdes, mais ansioso(a) e deprimido(a) te sentes.
· Faz duas listas: uma com o que a tua perturbação alimentar te trouxe, e outra com o que perdeste com ela.
· Tenta ser gentil com o teu corpo, não o castigues!

· Certifica-te de que sabes qual é um peso ideal razoável para ti, e que perceber porquê. · Procura ajuda!

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