terça-feira, 6 de novembro de 2018


Nomofobia


O termo nomofobia tem origem no inglês No-Mo ou No Mobile, que significa sem telemóvel. É usado para descrever a fobia ou sensação de angústia que surge quando alguém se sente impossibilitado de comunicar, ou se vê incontactável quando está sem o seu telemóvel ou sem outro dispositivo tecnológico.
É uma doença relativamente recente, que surgiu pelas mudanças e avanços tecnológicos da sociedade.
As novas tecnologias tornaram a comunicação entre as pessoas tão fácil quanto o aperto de um ou dois botões. A facilidade de entrar em contato com outras pessoas e, ao mesmo tempo, de estar ao alcance delas traz inúmeras consequências, tanto positivas quanto negativas.
O indivíduo com nomofobia sente ansiedade e/ou falta de ar, tonturas, tremores, suores frios, batimentos cardíacos acelerados, dor no peito e até ataques de pânico, irritabilidade, sensação de solidão (mesmo quando se está rodeado por muitas pessoas) e falta de concentração.
As pessoas com Nomofobia não conseguem imaginar sair à rua sem o telemóvel, e caso se esqueçam deste voltam atrás para o buscar. É também comum abandonarem o que estão a fazer só para atender o telemóvel.
Em situações mais graves, este problema pode afetar os relacionamentos interpessoais, havendo um distanciamento do mundo real.
Causas
Baixa auto-estima e dificuldades nos relacionamentos sociais são fatores de risco que podem causar nomofobia.
O vício no sistema de recompensa de redes sociais  –  como os likes do facebook, views em vídeo de youtube, e ‘corações’ no Instagram – também pode ser um fator que contribui para a dependência, pois é uma forma de obter pequenos prazeres psicológicos de forma fácil e rápida.




Consequências
- A nomofobia afeta significativamente o processo de ensino-aprendizagem dos estudantes, uma vez que estes sentem ansiedade e medo quando não estão com os seus telemóveis e observam frequentemente os seus aparelhos durante as aulas, ansiosos por mensagens;

- Prejuízo nas relações socio-afetivas dos jovens, privilegiando estes as interações via telemóvel,
- Problemas ao nível da comunicação em família.

Se reages mal quando perdes a rede móvel ou simplesmente não existe wifi, e te identificas com algum dos sintomas acima, deves consultar um especialista para fazer um diagnóstico preciso e pensar na ação oportuna para curar a dependência patológica do telemóvel. A coisa mais importante é identificar o problema e logo após, pedir ajuda.
Podes fazê-lo junto do Serviço de Psicologia e Orientação da tua escola.



quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Dia Mundial da Saúde Mental


Todos os anos, por iniciativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), comemora-se o Dia Mundial da Saúde Mental, no dia 10 de Outubro.
A Organização Mundial de Saúde define a saúde mental como «o estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades, pode fazer face ao stress normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade em que se insere» (OMS, 2002).
Portanto, define a Saúde Mental não só como a ausência de doença, mas como uma situação de bem-estar físico, mental e social que não é igual para todas as pessoas, depende do indivíduo, dos contextos económicos, sociais, culturais e políticos onde se encontra inserido.
Verifica-se por vezes uma tendência para separar a saúde mental da saúde física. Porém, elas são inseparáveis, não há saúde física sem saúde mental. O que não se resolve na mente, o corpo pode transformar em doença.
Uma pessoa com boa saúde mental sente-se bem consigo e na interação com os outros. Responde positivamente aos desafios e exigências do meio e do quotidiano. Este estado permite-lhe desempenhar os seus papéis como estudar, trabalhar, relacionar-se com a família e com os amigos.
Embora a grande maioria das crianças e dos adolescentes viva a sua infância e adolescência sem dificuldades significativas, cerca de 20% revelam perturbações psiquiátricas. Muitas das doenças mentais da idade adulta revelaram sintomas ou iniciaram-se na adolescência, sendo o diagnóstico precoce dessas afeções um aspeto decisivo para uma boa evolução.
Os problemas de saúde mental em crianças e adolescentes são frequentes, podem afetar profundamente o desenvolvimento e a autonomia do futuro adulto, e muitos deles tendem a ter uma evolução crónica, com repercussões negativas e graves a nível familiar, educativo e social. A saúde mental de crianças e jovens está intimamente interdependente do funcionamento familiar que, por sua vez, também está dependente de dimensões mais vastas, como a ocorrência de acontecimentos de crise a nível individual (uma doença física grave, uma depressão), relacional (a separação, o divórcio) ou social (o desemprego, a recessão económica). Existe alguma evidência de que os problemas de saúde mental em crianças e adolescentes têm aumentado, os quais atualmente atingirão valores de 15-30% em amostras pediátricas, constituindo uma verdadeira pandemia, e que muitos terão uma continuidade na vida adulta.
Dada a importância desta temática, o Serviço de Psicologia e Orientação do Agrupamento Dr. Bento da Cruz, assinalou esta data com uma atividade na qual se afixaram mensagens positivas e frases alusivas ao dia. Esta atividade terá continuidade no restante mês, através da presença das psicólogas do Serviço em palestras dirigidas às turmas, por solicitação dos respetivos Diretores de Turma.






segunda-feira, 9 de abril de 2018

ORIENTAÇÃO ESCOLAR E PROFISSIONAL


Na adolescência - período no qual ocorrem modificações biológicas e psicológicas - o jovem procura definir a sua identidade, adquirir a imagem corporal e consolidar a sua personalidade. O adolescente tem, portanto, como tarefa primordial, nessa etapa da vida, a definição de identidade pessoal: sexual, ideológica, religiosa e profissional.
O momento da tomada de decisão em relação a que profissão seguir pode gerar muita ansiedade, pois envolve aliar: interesses, aspirações, medos, exigências familiares, sociais e do mercado de trabalho. Nesse sentido, a escolha da profissão adquire relevância e requer, muitas vezes, a intervenção de profissionais especializados. Assim sendo, a Orientação Vocacional configura-se como o campo de atividades que dispõe de conhecimentos teóricos e práticos destinados a facilitar o processo de "escolha" e elaboração de projetos futuros, sobretudo, do adolescente.
Neste sentido, os serviços de psicologia e orientação das escolas proporcionam o acesso a serviços de apoio educativo especializados que asseguram uma intervenção pedagógica individualizada ou em grupo e que apoiam os jovens nas opções que tomam ao longo do seu percurso escolar, facilitando assim o desenvolvimento da uma identidade pessoal e a construção de um projeto de vida pessoal. Tanto os especialistas em orientação escolar como os professores/diretores de turma exercem um papel fundamental no acompanhamento dos alunos, na clarificação das trajetórias possíveis, na articulação com outros serviços de apoio socioeducativo, na proposta e celebração de protocolos entre escolas e serviços diferentes, empresas e outros agentes da comunidade ao nível local.
Os serviços de psicologia e orientação desempenham também um papel relevante na identificação e monitorização de situações problemáticas que possam surgir no processo de aprendizagem; no aprofundamento da autoestima dos alunos por via do apoio psicológico e da orientação dos estudos; na implementação de estratégias de transição para a vida ativa, encorajando os alunos que frequentam o ensino básico e secundário no desenvolvimento de competências e atitudes de «aprendizagem ao longo da vida».

No próximo dia 26 de abril, este Agrupamento irá receber, uma vez mais, uma Feira de Orientação Escolar. À semelhança de anos anteriores, teremos a presença de diversas Instituições de Ensino Superior e outras Entidades que certamente contribuirão para ampliar os horizontes e perspetivas dos alunos, uma vez que terão contacto direto com toda a informação que necessitam para poderem realizar uma análise cuidada das ofertas educativas e formativas disponíveis e tomarem as suas decisões num fututo próximo.
Esperamos que esta atividade seja uma mais-valia para a construção do projeto de vida dos que nela participam e que todos os alunos se envolvam ativamente na recolha de informação junto das entidades presentes.

terça-feira, 6 de março de 2018

Drogas e Adolescência


De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), o termo droga aplica-se a todas as substâncias que se caracterizam por:
– Produzir alterações no equilíbrio do organismo ao serem introduzidas por diversas vias, como inalação, ingestão, injeção, etc. ;
– Provocar no indivíduo dependência física, psíquica ou ambas;
– Conduzir o organismo à tolerância aos efeitos que produz;
– Levar à síndrome de abstinência, quando deixam de ser consumidas.
A adolescência é uma fase do desenvolvimento humano em que ocorrem muitas mudanças, é uma fase conflituosa da vida devido às transformações físicas e emocionais. Surge a curiosidade, os questionamentos, a vontade de conhecer, de experimentar o novo, mesmo sabendo os riscos, e um sentimento de ser capaz de tomar as próprias decisões. Para a grande maioria dos jovens, ter experiências novas (lugares, músicas, amigos e também drogas) não necessariamente trará problemas permanentes, e muitos se tornarão adultos saudáveis. Mas, na realidade, há jovens que passam a ter problemas a partir do momento em que experimentam essas novas experiências, e por conta disso a adolescência é um período de risco para o envolvimento com as drogas. A curiosidade natural dos adolescentes é um dos fatores de maior influência na experimentação de várias drogas, assim como a opinião dos amigos. Essa curiosidade fá-los buscar novas sensações e prazeres. O adolescente vive o presente na busca por realizações imediatas e o efeito das drogas vai de encontro a isto, proporcionando prazer imediato.

Quando um jovem experimenta uma droga, geralmente fá-lo por pressão do grupo de amigos ou por curiosidade. Também pode acontecer que o faça para “fugir” dos problemas ou por problemas emocionais. O abuso das drogas depende dos mais variados fatores, como o estado psicológico, as condições socioecónomicas, solidão e o aliciamento exercido pelos outros.
Os prejuízos provocados pelas drogas podem ser agudos (durante a intoxicação ou "overdose") ou crónicos, produzindo alterações mais duradouras e até irreversíveis. O uso de drogas por adolescentes traz riscos adicionais aos que ocorrem com adultos em função de sua vulnerabilidade. Todas as substâncias psicoativas usadas de forma abusiva produzem aumento do risco de acidentes e da violência.
Progressão:
            Experimentação
                        Uso Regular
                                   Uso Frequente
                                               Abuso
                                                           Dependência
Prevenção e Tratamento
Os Especialistas afirmam que a melhor forma de combater as drogas é a prevenção. Informação, educação e diálogo é o caminho para a prevenção do consumo de drogas, seja tabaco, álcool ou drogas mais pesadas.
Dependendo do tipo de droga, as consequências podem ser:
- Gastrite, derrames cerebrais, enfraquecimento cardíaco e aumento da pressão arterial, diminuição da capacidade reprodutora, hepatite, perda de massa muscular, deficiência pancreática – no caso do ÁLCOOL
- Avermelhamento dos olhos, boca ressequida, aumento dos batimentos cardíacos, perda de capacidade respiratória, bronquite, cancro do pulmão, diminuição da produção de espermatozóides, memória e raciocínio prejudicados, desregulação do ciclo menstrual, danos cerebrais, derrame cerebral, enfarte.

Para além de todas estas consequências, o dependente perde a sua liberdade de escolha, perde o controlo sobre esta decisão, pois vive para satisfazer a sua necessidade.
À medida que se consome, torna-se necessário um número cada vez maior de doses para ter a mesma sensação que tinha antes.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Violência no Namoro

Entramos hoje no mês em que se comemora o Dia dos Namorados. Este Serviço não poderia deixar de assinalar esta data alertando para algo que, muitas vezes é aceite como fazendo parte de um relacionamento amoroso, mas que não deve ter cabimento numa relação de amor e confiança, falamos da Violência no Namoro.

É um ato de violência, pontual ou contínua, cometida por um dos parceiros (ou por ambos) numa relação de namoro, com o objetivo de controlar, dominar e ter mais poder do que a outra pessoa envolvida na relação. 

Tipos de violência:

VIOLÊNCIA FÍSICA - Por exemplo, quando o/a teu/tua namorado/a:
  •         Te empurra;
  •          Te agarra ou prende;

  • Te atira objetos;
  • Te dá bofetadas, pontapés e/ou murros;
  • Ameaça usar a força física ou a agressão.

VIOLÊNCIA SEXUAL – Por exemplo, quando o/a teu/tua namorado/a:
  • Te obriga a praticar atos sexuais (sexo anal, sexo oral e/ou vaginal), mesmo quando não queres;
  • Te acaricia (ou força carícias), sem que isso seja desejado.

VIOLÊNCIA VERBAL - Por exemplo, quando o/a teu/tua namorado/a:
·         Te chama nomes e/ou grita;
  • Te humilha, através de críticas e comentários negativos (ex.: “Não vales nada.”);
  • Te intimida e ameaça.

VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA - acontece quando o agressor:
  • Parte ou estraga os objetos ou roupa da vítima;
  • Controla a sua maneira de vestir;
  • Controla o que ela faz nos tempos livres e ao longo do dia;
  • Liga-lhe constantemente ou envia mensagens;
  • Ameaça terminar a relação como estratégia de manipulação.

VIOLÊNCIA SOCIAL - acontece quando o agressor:
  • Humilha, envergonha ou tenta denegrir a imagem da vítima em público, especialmente junto dos seus familiares e amigos;
  • Mexe, sem o seu consentimento, no teu telemóvel, nas suas contas de correio eletrónico ou conta do Facebook;
  • Proíbe a vítima de conviver com os amigos e/ou família.

A violência no namoro é um padrão
Quando falamos de violência no namoro, falamos de um padrão que se repete, de uma dinâmica relacional em que um dos elementos do casal, através da violência, pretende controlar, dominar, submeter o outro. Inicialmente assume formas de dominação socialmente aceites que, com o tempo, se vão tornando mais graves, frequentes e destrutivas.

A violência no namoro nem sempre é óbvia
Existem táticas subtis, formas mascaradas de exercer poder e controle sobre a outra pessoa. Tão subtis que podem ser impercetíveis. Por vezes exprimem-se sob a forma de preocupação com o relacionamento e com o bem-estar do/a parceiro/a e podem ser confundidas com manifestações de amor.

A violência no namoro é um fenómeno transversal
Há situações de violência nas relações de namoro em todos os grupos sociais: as vítimas e as pessoas que agridem podem ser ricos ou pobres, muito ou pouco escolarizados, habitantes em zonas rurais ou urbanas, celebridades ou cidadãos/ãs comuns. A violência não é exclusiva dos/as consumidores/as de drogas ou álcool, nem das pessoas com doença mental, podendo ou não coincidir com o consumo daquelas substâncias, podendo ou não estar associada a situações de doença mental.

Violência no namoro e conflito não são sinónimos
O conflito é normal nas relações amorosas. Serão raras, ou até mesmo inexistentes, as relações de plena harmonia. Não devem evitar-se os conflitos a qualquer custo, estes podem ser construtivos e permitir que as pessoas e a relação cresçam.
Pelo contrário, a violência é sempre negativa e destrutiva. É uma forma inaceitável de resolver conflitos.

PORQUE SE MANTÉM UMA RELAÇÃO DE NAMORO VIOLENTA?

Porque há um ciclo que aprisiona
O “ciclo da violência” pode ajudar a explicar o facto de a vítima não tomar a iniciativa de romper a relação. Este ciclo desenvolve-se em 3 fases:
A fase da acumulação de tensão caracteriza-se pela expressão de sentimentos negativos, insultos, humilhações e recriminações. O ambiente cada vez mais tenso leva a vítima a evitar situações que possam gerar o conflito para minimizar o risco da explosão violenta.
Na explosão violenta “descarrega-se” a tensão contida. Os comportamentos violentos são de maior intensidade e gravidade, podendo haver agressões físicas, ameaças, uso de armas, abusos sexuais, violação, etc.
Na fase da “lua-de-mel” há como que uma compensação amorosa: a pessoa que agride mostra-se arrependida e promete que não vai voltar a ser violenta. Há manifestações de afeto, oferta de presentes, pedidos de desculpa. Nesta fase, renova-se a esperança na mudança e minimiza-se as agressões sofridas.

Porque se idealiza o amor
Apesar de o “… e viveram felizes para sempre” só acontecer nos contos de fada, na verdade, alimentamos a convicção de que o amor é capaz de superar todos os obstáculos. Muitos/as jovens mantêm relações violentas porque acreditam que “o amor resiste a tudo” e tem o poder de mudar o carácter da pessoa amada.
Estas conceções idealizadas do amor levam muitas vezes a vítima a continuar na relação, na esperança de que o seu “happy end” chegará um dia.

Porque se romantizam os ciúmes
É habitual considerar-se que o ciúme é uma expressão de amor. Mas quando um/a namorado/a tem um comportamento violento sempre que alguém se aproxima do seu par, tenta isolá-lo e mantê-lo afastado de potenciais rivais, impedindo-o, por exemplo, de sair com amigos/as, não estamos perante expressões de amor, mas sim perante o desrespeito e o desejo de controle do outro.
Infelizmente, na nossa sociedade, há ainda uma grande tolerância a “cenas de ciúmes” violentas. Estas são frequentemente minimizadas ou romantizadas, considerando-se manifestações normais de descontrole emocional causado pelo ciúme.

COMO SE SENTE A VÍTIMA?

      Apesar de o/a nosso/a namorado/a nos maltratar continuamos a gostar dele/a.
      Não o/a queremos magoar, desiludir, nem prejudicar.
      Não queremos ficar sozinhos/as ou temos medo que a relação acabe.
      Temos vergonha de contar o que se está a passar e de pedir ajuda.
      Temos medo que ninguém acredite em nós ou que ninguém nos consiga ajudar.
      Temos medo que o/a nosso/a namorado/a nos faça mal ou faça mal a si próprio/a se contarmos o que está a acontecer.
      Temos esperança que ele/ela mude ou ele/ela promete que vai mudar.
      Desculpamos ou entendemos o comportamento dele/a por causa do ciúme ou pelo facto de gostar de nós.

O QUE FAZER?
Se fores vítima de violência no namoro:

Enquanto não te sentires seguro/a para tomar uma decisão definitiva ou para pedir ajuda, há algumas estratégias que te podem proteger:
      Opta por locais públicos e movimentados para estares com o/a teu/tua namorado/a. Locais isolados podem colocar-te em risco.
      Escolhe atividades em que estejas com o/a teu/tua namorado/a na presença de outras pessoas (ex.: o teu grupo de amigos).
      Muda as rotinas (ex.: o teu percurso para a escola e da escola para casa) e procura estar na companhia de amigos ou colegas de turma.
      Quando saíres diz a alguém em que confies onde vais e a que horas regressas.
      Grava contactos telefónicos importantes no teu telemóvel, para poderes pedir ajuda facilmente caso precises.
      Se sentires que estás em perigo, procura imediatamente alguém ou um sítio mais seguro (ex.: um sítio onde estejam mais pessoas). Podes também ligar 112. O profissional que atender a tua chamada enviará para o local onde te encontrares os meios necessários para te proteger.
      Conta a um adulto da tua confiança o que se está a passar. Os adultos só poderão apoiar-te e proteger-te se souberem o que está a acontecer.

Lembra-te que:
      A violência nunca é uma forma de expressar amor ou paixão por outra pessoa.
      Os ciúmes ou a traição não servem de justificação para qualquer comportamento violento. 
      Não és culpado/a pelo que te aconteceu ou está a acontecer.
      Ninguém tem o direito de ser violento/a contigo.

      Se testemunhaste algum crime, é muito importante que o denuncies às autoridades. Se o fizeres, a probabilidade de a pessoa que o cometeu ser punida e impedida de fazer o mesmo a outras pessoas é maior.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Perturbações Alimentares

Todos temos hábitos alimentares diferentes e existem vários tipos de padrões alimentares saudáveis. Contudo, alguns são tão centrados no medo de engordar que podem prejudicar a nossa saúde. As pessoas que desenvolvem uma perturbação alimentar tornam-se bastante preocupadas com a forma corporal e com o peso, raramente se vêm como estando doentes e tentam esconder o seu comportamento. A perda de peso é vista como o único modo de se sentirem bem e de poderem ter controlo sobre a sua vida, por isso normalmente não procuram ajuda.
Pessoas com uma baixa auto-estima e perfecionistas, são particularmente vulneráveis a uma perturbação alimentar. Se uma perturbação alimentar não for tratada pode durar vários anos.
A anorexia nervosa, a bulimia nervosa e outras perturbações alimentares mais atípicas afetam entre 2 – 6% das raparigas adolescentes. No entanto a sua prevalência no sexo masculino tem vindo a aumentar.

Anorexia nervosa
As pessoas com anorexia têm uma imagem distorcida da sua forma corporal e da sua imagem. Tentam evitar ou fazer restrições alimentares e podem fazer excesso de exercício para perderem bastante peso. Geralmente esta doença tem início na adolescência, no entanto pode ter início ainda na infância ou já na vida adulta.

Quem tem anorexia pode ter alguns ou todos os seguintes sintomas:
· Negar que está com um peso muito baixo ou que tem um problema com a comida;
· Um peso muito inferior ao que é esperado para a sua idade e altura;
· Comer muito pouco, ou nada, ou restringir certo tipo de alimentos, tais como os que contêm gorduras;
· Evitar comer ao pé de outras pessoas ou cortar a comida em pedaços muito pequeninos para parecer que comeu alguma coisa;
· Ser obcecada com exercício físico;
· Tomar comprimidos para reduzir o apetite;
· Utilizar laxantes em excesso ou induzir o vómito. Existem, por isso, dois subtipos – o purgativo e o não purgativo.

Habitualmente é da combinação de vários fatores que surge a doença, sendo que os principais são:
· Baixa auto-estima;
· Perfecionismo;
· Necessidade de agradar aos outros;
· Medo da puberdade/busca de uma identidade;
· Necessidade de sentir que pode ter controlo;
· Pressão social (“magreza é beleza”, meios de comunicação social, atividades/desportos/profissões como ginástica ou ballet)
· Pessoas com diabetes tipo I são mais vulneráveis (em virtude do excesso de peso que algumas têm na zona abdominal, por exemplo);
· Família (quando a mãe ou a irmã também têm uma perturbação alimentar, ou como meio de exprimir os seus sentimentos ao dizer “não” à comida);
· Fazer dietas;
· Stress emocional (abuso físico/ sexual, problemas na vida, morte, fim de uma relação, casamento, saída de casa).

Problemas de saúde causados pela anorexia:
· Perda da menstruação nas raparigas, não estando grávidas nem a tomar pílula contracetiva (falha de pelo menos 3 ciclos consecutivos);
· Cabelo muito fino;
· Aparecimento de pelugem muito fina no corpo e na face (lanugo);
· Atraso da puberdade;
· Sentir frio constante;
· Dificuldade em dormir;
· Obstipação ou dor abdominal;
· Tensão arterial baixa, diminuição dos batimentos cardíacos e desmaios;
· Cansaço;
· Dificuldades de concentração;
A longo prazo pode ainda causar…
· Osteoporose;
· Problemas cardíacos;
· Infertilidade;
· Morte (devido aos vários problemas de saúde e caso não receba o tratamento adequado).

Bulimia nervosa 
A bulimia é uma doença bastante secreta. Ao contrário da anorexia nervosa, na bulimia o doente habitualmente terá um peso normal ou ligeiramente acima do peso corporal normal para a idade e altura, sendo, portanto, uma doença muito mais difícil de detectar.
As pessoas com bulimia têm episódios de comer em excesso num curto período de tempo, quase sempre em segredo, acompanhados por um sentimento grande de descontrolo. Estes episódios são chamados de “empanturramentos”.
Seguem-se sentimentos de vergonha devido aos excessos cometidos. As pessoas com bulimia tentam depois encontrar maneira de se livrarem da comida ou das calorias ingeridas, com os designados comportamentos purgativos (e.g. recurso ao vómito auto-induzido). Podem recorrer igualmente ao uso de laxantes ou diuréticos, excesso de exercício, períodos de jejum, ou à combinação de vários destes métodos.

Quem tem bulimia pode ter alguns ou todos os seguintes sintomas:
· Evitar comer com os outros ou desaparecer para a casa de banho depois das refeições, para vomitar o que acabou de comer;
· Ter ciclos de “empanturamento”- comportamentos purgativos que talvez ocorram pelo menos duas vezes por semana durante 3 meses ou mais;
· Ter flutuações de peso frequentemente;
· Estar preocupado com a ideia ou o desejo de alimentos;
· Ser obcecado com exercício físico;
· Ter uma auto-imagem indevidamente influenciada pela forma corporal.

Quais as causas para a bulimia?
· Baixa auto-estima: a pessoa avalia a sua auto-estima pela sua forma corporal;
· Perda de interesse nas outras pessoas;
· Problemas de humor, especialmente depressão;
· Pressão social;
· Pessoas com diabetes tipo I são mais vulneráveis;
· Se existir história de anorexia;
· Se já tentou várias dietas para perder peso;
· Pais excessivamente críticos
· Pessoa cujos pais tenham um problema alimentar;
· Stress emocional (divórcio, luto ou relações familiares abusivas) em que os “empanturramentos” são utilizados como meio de bloquear os sentimentos de infelicidade

Problemas de saúde causados pela bulimia:
· Cáries dentárias, dentes escurecidos, gengivite e mau hálito causado pelo ácido do estômago na boca devido aos vómitos regulares;
· Manchas de pele áspera nas articulações ou nos dedos, se forem usados para fazer a pessoa vomitar (escaras de Rusell);
· Cara inchada debaixo do maxilar, devido ao inchaço das glândulas salivares, causado pelo vómito;
· Dor de garganta;
· Desidratação grave, que pode provocar fraqueza, desmaios ou danos nos rins;
· Inflamação do estômago e do esófago, causada pelo ácido do vómito (em casos extremos ruptura do estômago);
· Obstipação ou diarreia, e dor abdominal;
· Mãos e pés inchados;
· Dificuldade em dormir;

A longo prazo pode ainda causar…
· Danos no coração;
· Infertilidade devido a períodos de menstruação irregular ou em que parou

Dicas sobre o que podes fazer perante uma perturbação alimentar:
· Fazer refeições regulares – pequeno-almoço, almoço e jantar. Se o teu peso for muito baixo, faz também pequenos lanches a meio da manhã, a meio da tarde e à noite.
· Tenta pensar num passo de cada vez para teres uma alimentação mais saudável. Se não conseguires tomar o pequeno-almoço, tenta sentares-te à mesa durante a hora do pequeno-almoço e beber apenas um copo de água. Quando te habituares a isto, começa por comer qualquer coisa, nem que seja apenas uma tosta, mas fá-lo todos os dias!
· Mantém um diário do que comes, quando comes e o que pensas e sentes ao longo do dia. Podes utilizar isto para ver se existe relação entre como te sentes, o que pensas e o que comes.
· Tenta ser honesto(a) sobre o que comes e o que não comes, não só contigo mesmo(a) como com as outras pessoas.
· Lembra-te que quanto mais peso perdes, mais ansioso(a) e deprimido(a) te sentes.
· Faz duas listas: uma com o que a tua perturbação alimentar te trouxe, e outra com o que perdeste com ela.
· Tenta ser gentil com o teu corpo, não o castigues!

· Certifica-te de que sabes qual é um peso ideal razoável para ti, e que perceber porquê. · Procura ajuda!

Nomofobia O termo nomofobia tem origem no inglês No-Mo ou No Mobile, que significa sem telemóvel.  É usado para descrever a fobia ...